segunda-feira, 28 de março de 2011

LIBERDADE

E aí?

Então, eu nunca fui fã do RBD, aliás, nem conhecia as músicas deles. No entanto, depois que se separaram, criei uma simpatia pela cantora Anahí, a moça virou uma espécie de diva gay e fez umas músicas "a cara da balada". Mas, hoje (ontem, na verdade), eu fiquei mais fascinado por ela. Por ela e pelo seu ex-colega de banda Christian Chavez. Os dois gravaram o clipe, e música, mais bafônica dos últimos quinze minutos (sempre vem outra depois).

Libertad é o nome da canção que funciona como um grito gay de... Claro: liberdade! A ideia era essa e eles arrasaram. No vídeo do single, Christian critica o fanatismo religioso e "se joga" no mundinho.  Tudo bem que o visual do clipe  de Chavez e Anahí (clube noturno alternativo, figurino, fumaça e afins) lembra um pouco o vídeo "for your entertainment" do Adam Lambert - outro divo gay! Mas quem liga pra isso? Quanto mais, melhor! E por falar em divo gay, "prestenção" no close do Perez Hilton no clipe Libertad.

Parabéns a Christian, parabéns a Anahí que tiveram coragem pra fazer um clipe tão causador. Quem fica nos devendo algo assim é o eterno menudo Ricky Martin. Uêpa!

Beijos bafônicos!
@aharomavelino

domingo, 27 de março de 2011

SITCOM

Oi,

aí está, uma ceninha do episódio piloto de A CASA DA SOGRA. Isso mesmo, episódio piloto, o babado quase deu certo, mas ficou no quase. A Casa da Sogra é um programa tipo comédia de situação, na linha de A Grande Família, Toma Lá Da Cá e Sai de Baixo. Leiam e comentem. Beijos!

CENA 01. APE DE AURORA – SALA – INT/DIA

SALA SIMPLES COM UMA ENORME JANELA DE ONDE SE VÊ A CIDADE. UM SOFÁ, POLTRONAS, APARADOR... BEM CLASSE MÉDIA.
AURORA ENTRA COM VÁRIAS CAIXAS, TENTA SE EQUILIBRAR.

AURORA     - Jorgete! Jorgete! Vem me ajudar aqui, Jorgete!... Cadê essa criatura quando a gente precisa dela? Jorgete!

ELA COLOCA AS CAIXAS NO CHÃO E DÁ UM SUSPIRO ALIVIADO. JORGETE APARECE VINDO DA COZINHA.

JORGETE    - Dona Aurora, chegou cedo! (VÊ AS CAIXAS) Ih, olha essas caixas... A senhora subiu com elas sozinha, foi?
AURORA     - Pois é, né?
JORGETE    - Por que num pediu minha ajuda, gente?
AURORA     - Pedir até que eu pedi, mas parece que você tava muito ocupada pra ouvir o interfone, ou pra ouvir meus gritos.
JORGETE    - (SEM JEITO, ECONDE AS MÃOS) Sabe o que é? É que eu tava lá dentro no quarto e aí...
AURORA     - (CORTANTO) Que cheiro é esse?
JORGETE    - Cheiro? Num tô sentindo cheiro nenhum.
AURORA     - É cheiro de esmalte... (ENCARA JORGETE) Jorgete, você tava fazendo as unhas, enquanto eu me matava pra trazer essas caixas aqui pra cima?
JORGETE    - Bem, eu não tava fazendo a unha... Assim... tecnicamente falando...
AURORA     - Ah, não? (PEGA AS MÃOS DE JORGETE) E essas unhas feitinhas?
JORGETE    - (FINGIDA) Gente! Eu nem tinha observado... E não é que tão feitas mesmo?

AURORA FAZ CARA FEIA PARA JORGETE.

JORGETE    - Que foi? Eu só tava dando uma mão de tinta nelas... Nós mulheres precisamos cuidar de nossa aparência... Eu até já falei isso pra senhora, mas a senhora nem quis me ouvir.
AURORA     - Eu não sei onde eu tô com a cabeça, que não te coloco no olho da rua, sua folgada.
JORGETE    - É que a senhora me ama... (RI)
AURORA     - Até parece...

AURORA VAI PARA O SOFÁ E FICA SE ABANANDO COM UM LEQUE, JORGETE COMEÇA A FUÇAR NAS CAIXAS.

JORGETE    - O quê que são essas coisas, dona Aurora?
AURORA     - Meus objetos de trabalho...

JORGETE TIRA UMA CALCINHA VERMELHA MINÚSCULA DE DENTRO DA CAIXA.

JORGETE    - (ESPANTADA) E a senhora trabalha de que mesmo, dona Aurora?
AURORA     - Eu era secretária... Aliás, a predileta do chefe!
JORGETE    - (OBSERVANDO A CALCINHA) Será por que, né?
AURORA     - E sempre fui uma ótima secretária, se você quer saber... Sempre dei tudo de mim naquele trabalho.
JORGETE    - (OBSERVANDO O OBJETO) Ah, disso eu não tenho dúvida... A senhora deve ter dado tudo, mesmo.

AURORA SE VIRA E VÊ A CALCINHA NAS MÃOS DE JORGETE.

AURORA     - (PEGA A CALCINHA) E quem mandou você mexer nas minhas coisas?
JORGETE    - Aí, dona Aurora, mandando ver, hein? Quem diria...
AURORA     - Quem diria o quê, Jorgete? Tá pensando o que, hein? Eu num sou dessas não, tá bom?
JORGETE    - Ah, eu sei... A senhora é daquelas... Daquelas bem periguetes...
AURORA     - Jorgete, mais respeito comigo que eu sou sua patroa, tá bom?
JORGETE    - É patroa, mas num tá morta. Aliás, pelo o que eu vi nessas caixas, a senhora tá é muito viva, isso sim...
AURORA     - Jorgete, já pra cozinha. Chispa daqui, criatura!
JORGETE    - Tá certo... Eu vou pra cozinha... Mas oh, bem que a senhora podia me emprestar esses seus brinquedinhos qualquer hora dessas, dona Aurora.
AURORA     -  Some da minha frente, criatura!
JORGETE     - Me diga uma coisa, dona Aurora: por que a senhora trouxe essas coisas aqui pra casa, hein?
AURORA     - Eu me aposentei!
JORGETE     - A senhora se aposentou? Quer dizer que eu vou ter que aguentar a senhora aqui dentro de casa o dia todo, todos os dias da semana?
AURORA     - Isso mesmo!
JORGETE     - Acho que tá na hora da gente discutir um aumento de salário...

CORTA PARA:

quarta-feira, 23 de março de 2011

MORDIDA REBELDE

Olá,

Estava sumido do blog, mas cá estou, minha gente. E volto para falar de novelas, claro. Segunda-feira passada, fomos presenteados (?) com duas estreias: Morde e Assopra na Globo e Rebelde na Record. Com isso, a emissora de Edir Macedo passa a ter dois horários destinados às novelas e nós, amantes da arte de escrever roteiros, vislumbramos a abertura de mais um posto de trabalho - mesmo que não seja pra pobres mortais como eu e outros por aí. Mas, sem blá blá blá, vou dizer o que achei das duas tramas.

Escrita por Walcyr Carrasco, Morde e Assopra (que título é esse, meu Deus?), de cara, já mostrou que se trata de uma típica trama "carrasquiana"; todos os elementos de antigas novelas do Walcyr - humor pastelão, caipirês, bicho de estimação com jeito de gente - estão lá. O elenco é quase todo tirado de tramas anteriores do autor. No entanto, a direção é de Rogério Gomes e não de Jorginho Fernando, antigo parceiro de Carrasco. Na prática, a novela mudou um pouco de cara. Basta lembrar que Jorginho deixou até Ti-Ti-Ti com jeito de novela do Walcyr Carrasco (ou só eu achava a trama da Maria Adelaide parecida com Caras e Bocas?). Embora tenha muita coisa repetitiva, aliás todo novela tem, Morde e Assopra promete. 

A Record nos brindou com Rebelde, escrita (adaptada) por Margareth Boury. A novela pode ser boa, mas a ideia de que é uma adaptação de sucesso recente da Televisa não me sai da cabeça. Continuo achando que tomar café requentado não é bacana. Mas... vamos lá: Margareth conseguiu dar um ritmo bem brasileiro à novela. Porém, eu esperava mais do elenco. O Brasil tem arrasado em musicais, logo, não deve ser tão complicado achar alguém que cante, mas também interprete de forma razoável. Confesso que, vendo Rebelde, às vezes, achava que estava assistindo à Alta Estação ou Malhação.

Na estreia, a balança do Ibope foi mais gentil com a Globo. Morde & Assopra bateu na casa dos 30 pontos, enquanto Rebelde patinou nos 9. Vamos dar tempo ao tempo.

É isso.
@aharomavelino

quarta-feira, 16 de março de 2011

ALMA ABERTA

Oi,

A semana começou bem, muito papo no Twitter, muito assunto  pra debater. Mas, estou enrolado com o lançamento do meu livro "AMORES POSSÍVEIS" e, também, com problemas domésticos. Ai, meu pai, parece que todos os problemas marcam de aparecer ao mesmo tempo.

Minha fuga, quando tudo parece caótico (e nesses dias, estou vivendo um caos), é escrever. Escrevo histórias e mais histórias, quase todas sem pé nem cabeça. Depois, leio-as e observo se elas valem à pena. Na maioria das vezes, não valem. No entanto, elas mostram minha alma. Talvez por isso, eu prefira que elas continuem no limbo do esquecimento. Não gosto de me mostrar, não gosto de ser desnudado. E, quando escrevemos com a alma, nós nos desnudamos.

Tenho dois amigos poetas incríveis: a magnânima Betta Doelinger e o estranho, mas não menos magnânimo, Fernando Freire. Esses não temem o desnudamento, pois em suas poesias podemos ver tudo: a dor, o tempo, o sofrimento, as angústias e as sombras que eles têm. São corajosos. Pois na poesia, penso, não há como se esconder. Ela é você e ponto final.

Não sei escrever poesias, também não me meto a fazê-lo. Escolhi narrar, pois ali, os personagens escondem quem eu sou. Ou são, cada um, eu mesmo escondido. Também uso máscaras. Porém, quem não usa?

Viajei hoje.
@aharomavelino

quarta-feira, 9 de março de 2011

OS NÚMEROS MENTEM?

Olá,

E aí, meu povo, o Carnaval se foi, a festa acabou, a Beija-Flor ganhou (aham, Cláudia, senta lá...) e a vida, aos poucos, volta ao normal - mais ou menos. Mas, bola pra frente, né? E aí... Vamos falar de TV?

Então, há tempos eu ouço essa ladainha de que um dos maiores produtos da televisão brasileira - a novela das oito, que passa às nove - está em queda. Alguns mais exagerados chegaram, inclusive, a decretar o fim das novelas. Não é pra tanto, né? O brasileiro adora novelas, isso é líquido e certo. Mas, então, como se explicar essa queda na audiência? Não há muito para explicar, os fatos falam por si. Não dá pra esperar que, hoje, as novelas conquistem os mesmos índices de audiência da época de Roque Santeiro, ou Vale Tudo, por exemplo, que davam mais de 80 pontos.

O mundo mudou, vivemos outros tempos. A TV paga é uma realidade, a internet espalhou-se por todos os cantos. E, graças a Deus, temos mais gente lendo (pouco, mas melhorou). Tudo isso junto contribuiu com a pulverização da audiência. Também não somos mais reféns de uma única emissora, a Record está aí fazendo novelas tão bem e com tanta competência que viu seus índices de audiência chegarem aos dois dígitos. Prova de que a novela não está condenada à morte... por enquanto.

Os brasileiros não desistiram das novelas, nem desistirão tão cedo, o que acho é que está acontecendo aquilo que é justo: a audiência está melhor distribuída. O monopólio está acabando, meu povo... E que venha Amor e Revolução do SBT para abrir mais um mercado de trabalho para autores, atores e profissionais brasileiros.

É isso.
@aharomavelino



segunda-feira, 7 de março de 2011

O COMEÇO DE TUDO

Oi,

é o seguinte, meu povo. No último post, eu comentei sobre "ser escritor. Aí, vai um trecho do livro Viver não Preciso - minha primeira experiência no ramo literário. Penso numa reedição para esse ano. Vamos que vamos...

UM ESTRANHO NA SALA



Os dias que antecederam sua chegada foram agitados. Todo mundo imaginava mil e uma coisas. As expectativas eram grandes. Sabíamos de sua chegada, mas não sabíamos como ele era de verdade. Quando ele chegou lá em casa foi uma festa daquelas.
Minha mãe foi quem mais se empolgou. Abriu um sorriso de orelha a orelha. Ele era tudo o que ela queira. Para minha mãe, a chegada dele representava uma mudança radical. Nós estávamos subindo de posição social, ela dizia. Com ele, nossa família tinha atingido um novo padrão de vida. O passado era passado, e ele era o futuro. Tamanho poder só podia resultar em uma coisa: ele teria todo o poder dentro de casa. Logo o falatório começou:
“Não deita nele, menino!”
“Você tá rolando nele, para com isso!”
“Olha o braço dele, cuidado!”
“Tira esses pés imundos dele, agora!”
“Ai, meu Deus, vocês vão destruir ele.”
Não podia isso, não podia aquilo. Eu já tava com raiva dele. Queria chutá-lo, xingá-lo ou cuspir nele, mas minha mãe estava sempre de olho. Ele era muito importante para ela.
Ela o ganhou de presente do meu pai. Nem era nenhuma data especial, no entanto ele quis fazer uma surpresa – na verdade, acho que meu pai queria se livrar da ladainha da minha mãe. Ela vivia reclamando que não tinha um troço daquele.
Minha mãe o achava a coisa mais linda do mundo. Talvez fosse naquela época, porque hoje, seria considerado horroroso. Brega, feio, hediondo e de mau gosto. Quem o visse hoje usaria essas características.
Ele era verde. Verde mofo, assim meio desbotado, sabe? Também tinha umas flores em relevo, gravadas no plástico frio e duro que era chamado de napa. Pavoroso!
Porém, verdade seja dita: ele tinha uma espumazinha macia, fofa, gostosa. Naquela época, ele era a oitava maravilha do mundo, ou pelo menos, a primeira maravilha lá de casa. Pra gente, ele era confortável, afinal, estávamos acostumados com bancos de madeira.
Houve um tempo em que ele era tudo que uma mãe mais queria na sala. Era o sofá dos sonhos de 5 em cada 5 donas de casa. Aliás, ele não era um sofá puro e simplesmente, não, era um conjunto. Três peças. Três sofás: um grande com três lugares e dois pequenos de um lugar cada. Última moda. Um luxo a que poucas famílias tinham acesso.
Era caro. Caro, não, caríssimo. Para levá-lo para casa, meu pai precisou assinar algumas promissórias na loja (não havia carnê naquela época).
O dia em que ele foi deixado lá em casa foi um dia de festa. Não demorou muito e uma revolução começou.
- Chega a televisão pro outro lado.
- Não, aí não, deixa ele do lado de cá.
- Aí vai bater sol. Desbota.
- Mais? Ele já é todo desbotado mesmo. Olha que cor feia – eu disse, mas ninguém me deu assunto.
- Aí num ficou bom, não. Acho que ficava melhor do outro lado. Ou seria melhor desse lado de cá, mesmo? Ai, que dúvida!
Foi um dia inteiro de mexe daqui, mexe dali. A sala toda acabou alterada.
Primeiro minha mãe trocou o tapete porque vermelho não combinava com o verde do sofá. Não demorou muito para as cortinas antigas irem parar no meu quarto. A sala ganharia novas cortinas que combinariam com o sofá, claro.
Quando tudo parecia calmo, então, minha mãe resolveu implicar com a televisão.
- Ai, essa televisão, num sei não, vai acabar estragando o meu sofá.
- Como a televisão vai estragar o sofá? – eu quis saber – ela nem senta nele. Quem senta nele é a gente.
- Esse é o problema, agora todo mundo só quer sentar no sofá pra ver televisão.
- Ué, mas onde a gente vai sentar, então? – perguntou minha irmã.
- Não sei. Senta no chão! – sugeriu minha mãe.
- Eu gosto de sentar nele – falei.
- Você e todo mundo... Vamos ter que dar um jeito nisso. Do jeito que tá num dá.
O que ela estava dizendo era verdade, todo mundo só queria saber de sentar no sofá. Depois que ele chegou, ninguém quis saber dos banquinhos de madeira duros e desconfortáveis. O Cassino do Chacrinha ficou muito mais divertido quando passamos a vê-lo esparramados no sofá.
Para desespero da minha mãe, eu comecei a comer no sofá, a tomar café nele, fazia meu dever de casa usando-o como mesinha de apoio.
- Vai sujar de comida.
- Num vai, não, eu tomo cuidado.
- Vai cair suco.
- Num vai, não, eu bebo direitinho.
- Vai manchar.
- Já vou sair...
- Vai melar de molho de tomate.
- Eu já terminei de comer...
- Vou ter que esfregar com sabão depois...
Minha mãe ficava tensa com medo de que a gente destruísse o precioso sofá dela. O que ela não imaginava era que o pior estava por vir: um dia, minha mãe estava lá toda feliz, cantando que só ela mesma e passando paninho no sofá. Passa de cá, passa de lá. Susto! Ela viu aquilo. A visão que mudaria tudo. Lá estava ela, bem pequenininha, era só o começo, mas estava lá: uma rachadura, quase invisível, mas estava lá. Foi um dia de tristeza. Minha mãe entrou em desespero. Colocou um pouco de supercola. O plástico ressecou e a rachadura aumentou, ela ficou de cabelo em pé.
- O que é que eu vou fazer agora? Meu sofazinho tão bonitinho...
- Bonitinho ele num é não...
- Tão macio e fofinho – ela continuou.
- Ah, isso ele é mesmo – concordei.
- Agora tá rachando! É terrível! Tô arrasada!
Arrasada ela tava mesmo, mas não havia nada que se pudesse fazer. Dia após dia, a rachadura só aumentava. Uma tragédia se anunciava na minha casa.
Minha mãe aproveitou a situação pra mostrar todo seu talento dramático. Limpava a casa, tirava o pó, mas se recusava a olhar para o sofá. Dizia que era muita dor. Não sei onde, pois a rachadura era no objeto e não nela. De vez em quando, ela ficava parada olhando para ele. Acho que ela esperava um milagre, ou coisa parecida. Mas o milagre não veio.
Os dias se passaram e eu achei que minha tinha se tocado de que não tinha solução. Então, numa sexta-feira, depois da aula, cheguei em casa e vi minha mãe toda sorridente. Achei que meu pai tinha comprado outro sofá.
Corri para sala para ver o novo objeto, mas só vi o velho e bom sofá verde. No entanto havia algo diferente. Um tecido. Minha mãe havia jogado uma espécie de forro sobre o sofá.
- Viu só? Num ficou lindo? Agora ninguém vai notar que tá rachado!
Olhei para o forro que imitava pele de onça.
- Lindo? É estranho!
 - Eu amei essa estampa de oncinha – disse minha mãe – acho até que vou mudar a decoração da sala para combinar com ela. Primeiro quero trocar o tapete, depois, acho que posso mudar essas cortinas também...
E assim, começou tudo outra vez...

domingo, 6 de março de 2011

EU SOU ESCRITOR. SERÁ?

E aí,

- Como a gente vira escritor? - perguntou o menino sentado na primeira fila.
- Não faço a mínima ideia... Acho que é uma coisa que acontece sem a gente planejar - eu respondi.

Esse diálogo aconteceu ano passado. Eu participava de um encontro com alunos que leram meu livro VIVER NÃO É PRECISO (sou fino, bem). E não era brincadeira, eu não sei mesmo como se tornar escritor; comigo (se é que sou escritor de verdade) foi mais ou menos assim:

Lá pelos anos 80 - não sou velho, hein? - assistindo à telenovela Vale Tudo, quis ser autor desse tipo de programa. No entanto, eu era apenas uma criança latino-americana, sem dinheiro no bolso, sem parentes importantes e morando no interior. Resultado: o sonho não se realizou. Anos depois, já na década de 90, comecei a escrever peças pra um grupo de teatro do qual fazia parte. Foram minhas primeiras experiências na escrita "literária".

Mais tarde, para me sustentar, virei professor de literatura e aí a coisa pegou: meus alunos odiavam ler (novidade). Eles associavam literatura a autores mortos ou coisas velhas. Para provar que a literatura podia ser divertida e atual, comecei a escrever contos para trabalhar em sala de aula. Tempos depois, juntei todos os contos e participei de um concurso literário. Nascia, assim, o meu livro citado lá em cima.

Foi dessa forma que comecei: escrevendo peças e um livro de contos que virou uma novela (não telenovela) juvenil. Esse ano, lanço outro livro AMORES POSSÍVEIS. Já o desejo de fazer roteiros de telenovelas continua na gaveta. Pois é, não sei como "se vira" escritor, mas sei que, quando a necessidade de escrever, de criar histórias, é tão grande quanto a necessidade de se alimentar, aí, penso, você é um escritor; mesmo que ninguém o leia.

Beijos
@aharomavelino

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