terça-feira, 26 de abril de 2011

ALÉM DAS APARÊNCIAS

Oi,

como foi a páscoa de vocês, meus amores? Espero que tenha sido cheia de ovos (de chocolate, para de graça) e muito bacalhau - o que a minha mãe prepara é divino. 

Bem, vamos ao papo do dia. Nesse feriado encontrei uma amiga minha que já fora meu amigo há anos. Não entendeu? Eu explico. Era uma vez, há muito tempo, um garoto que se olhou no espelho e percebeu que algo estava errado com ele. O menino não se identificava com aquele corpo que refletia à sua frente. Aquele não era ele. Os anos se passaram, a tristeza e o desespero foi tomando conta daquele garoto. Então, veio a primeira tentativa de dar fim a própria vida. Depois veio a segunda e, quando ele pensava na terceira tentativa de suicídio, uma luz brilhou no fim do túnel escuro: era a possibilidade de se fazer uma operação para "mudar" de sexo.

O garoto passou por um longo e torturante tratamento (exames, terapias, estudos, mais exames...) e, finalmente, entregou-se às mãos salvadoras de um médico enviado por Deus - assim ele pensou. Vamos avançar a fita um pouco (cruzes, eu sou do tempo da fita)... Hoje o garoto, antes infeliz, é uma linda menina realizada e confortável com - e dentro de - seu próprio corpo. 

Minha amiga(a) é uma transexual. Uma pessoa que nasceu num corpo trocado, que não combina com o seu verdadeiro sexo. Ela tinha toda a parte corporal masculina, mas no fundo de sua alma, ela era mulher. E hoje, com seu corpo sintonizado à sua alma feminina, ela não pensa em morrer, pois descobriu que a vida é linda e se torna mais incrível ainda, quando estamos FELIZES. Aí eu pergunto: que pecado há em ser feliz? Não há!

Beijos
sigam-me @aharomavelino

quinta-feira, 21 de abril de 2011

"CONTINHOS"

Olá,

em tempos de comunicação rápida, rasteira, direta e digamos: um tanto rasa; seguem dois (mini)contos pra vocês. Nas duas narrativas, as personagens centrais são mulheres. Adoro escrever sobre elas. Será por quê? Abafa!

Conto 1: "Lua de Mel"

Ele a viu. Apaixonou-se, cortejou-a, conquistou-a. Casaram-se e saíram em lua de mel. Lá, ela conheceu o garçom do hotel e voltou para passar a lua de mel com ele aqui.

Conto 2: "Ele pediu"

Houve a briga. Ele, aos berros, disse que só a deixaria morto. Ela o matou!

Beijinhos: o garoto do blog (não resisti à brincadeira)
@aharomavelino

quarta-feira, 20 de abril de 2011

VIVER NÃO É PRECISO DE NOVO

Oi,

então, na falta de assunto e enquanto o livro VIVER NÃO É PRECISO continua em processo de reedição, vou soltar mais um trechinho do próprio:

E A ORELHA DE VAN GOGH?

  
O mês de julho era meu predileto, pois não havia aula e fazia um friozinho gostoso. Pela manhã, ficávamos em casa na companhia da Xuxa e suas Paquitas, à tarde, quando estava um pouquinho mais quente, nós nos juntávamos para brincar.
Na primeira semana sem aula, a galera já se reuniu na calçada da casa da Mila. Parecia um sonho: um mês inteiro sem pisar na escola – vida boa. Cada um tinha um plano diferente para julho: alguns iam viajar, outros iam para fazendas próximas. No entanto, e esse era o meu caso, a maioria ficaria em casa mesmo.
Antes que casa um tomasse seu rumo e a rua se esvaziasse, decidimos brincar de beti-bola. Era uma brincadeira que todo mundo gostava – meninos e meninas – então, não havia conflitos.  Sem falar que era um jogo simples, bastavam duas ripas e uma bolinha, um espaço razoável – que sempre era o campinho, ou a rua mesmo – e já podíamos sair jogando.
O único problema era a escolha do campo, ou o melhor lado para começar o jogo. Isso sempre era decidido no par ou ímpar.
- Par...
- Ímpar...
- Um dó lá si e já...
- Dois é par, ganhei – saí comemorando e gerei a primeira crise na brincadeira.
- Por que vocês têm que ficar com o lado de cima?
- Porque eu ganhei e eu escolho.
- Mas o campo de baixo o sol atrapalha.
- Por isso eu escolhi o campo de cima.
- Isso não é justo.
- Num tenho culpa que você é azarado...
Íamos cada qual para o seu campo e a partida começava. O Caio atira a bola de cá, a Rebeca rebate de lá, a gente corre, faz a contagem e tudo acontece naturalmente. Tudo bem, se não fosse a mania do Murilo de querer aparecer. Metido à especialista, ele quis fazer uma manobra arriscada para acertar a bolinha amarela que o Caio ganhara graças à nota boa que tirara em Matemática, o que, por si, já era um grande milagre.
O Murilo imaginou uma grande força, lá dentro da cabeça dele, e concentrou toda essa força no seu braço, a força, então, passou para a ripa usada como bastão. E quando a bolinha veio fazendo um zunido que mais parecia bicho, o Murilo girou o corpo, com muita fúria, num movimento de trezentos e sessenta graus.
A bolinha, que era mais esperta que o Murilo, passou direto e foi se aninhar lá no meio do campinho de terra, o tal que a gente usava para tudo quanto é brincadeira que vinha à nossa cabeça.
O Murilo abriu os olhos, procurou a danada da bola e não viu nada. Ele não tinha acertado bolinha coisa nenhuma, o que ele acertou, mesmo, foi a orelha do Caio. Coitado do Caio. Ele ficou lá esparramado no chão gritando que tava doendo.
No início, eu achei que ele tava fazendo drama, porque o Caio era o rei do dramalhão. Fazia mais drama que personagem da novela Chispita. Porém, começou a sair sangue da orelha dele e, então, vi que talvez tivesse doendo mesmo.
- Ih, você arrancou a orelha do infeliz.
- Ele que ficou perto demais.
- Caio, você tá me ouvindo?
Ele só chorava.
Saindo não sei de onde, a mãe do Caio veio correndo até o campinho. Foi uma gritaria e uma choradeira geral. O Caio fazendo manha, exagerando no drama e a mãe dele fazendo escândalo.
E assim terminamos nossa primeira semana de férias: o Murilo de castigo, o Caio com um curativo na orelha e eu rindo dos dois.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

AMANTES

Um conto pra vocês;

Demorou algumas semanas até que aquela atração, quase fatal, acabasse na cama. Embora ambos tivessem larga experiência, o nervosismo (até parecia a primeira vez) era visível. Mãos e pernas trêmulas. Corpo febril - resultado de um prazer indescritível.


Roberto sabia que sempre sonhara com aquele momento. Estava se sentindo um pouco culpado, mas o desejo e o prazer daquele momento era maior do que qualquer tipo de culpa. Tentou tirar da cabeça a imagem da esposa, não queria uma terceira pessoa debaixo dos lençóis. Não, ali não havia espaço para a esposa, de jeito algum.


Roberto olhou aquele ser nú em cima da cama. As formas desenhadas como uma obra de Auguste Rodin, a penugem loira cobrindo o corpo dourado. O coração de Roberto acelerou. Meu Deus, como ele estava amando aquele momento. Como ele gostava de beijar aquele corpo, tocá-lo e acariciá-lo. Ele estava se sentindo no paraíso. 

Um gemido. A pessoa deitada de bruços mudou a posição e olhou nos olhos de Roberto. Sorriu. "Você ainda está aí? Pensei que já tivesse ido", disse. "Estava esperando você acordar, não queria sair sem lhe dar um beijo", respondeu Roberto.

Então veio o beijo. Ardente, profundo, ansioso... Então, veio o desejo de se amarem outra vez. E, ali, o amor explodiu em cores e sons nunca antes vivenciados por aquelas duas almas. Mas, a realidade bateu à porta, e Roberto precisou ir embora. Voltar para sua esposa.

- Te vejo amanhã novamente?
- Claro. - disse Roberto.
- Tenha um bom dia, Roberto...
- Você também, Eduardo...

E ele voltou para sua casa, deixando o amante deitado na cama.

sábado, 2 de abril de 2011

SIM, O MUNDO AINDA PODE SER BOM

Oi,

Num tempo em que somos obrigados a ouvir pessoas como o deputado federal Jair Bolsonaro dizer que um homossexual é homossexual porque não levou porrada quando criança, ou ainda que um casamento entre uma negra e um branco é exemplo de promiscuidade (em resposta à pergunta de Preta Gil); chegamos a pensar que não há mais solução para a raça humana. Que um mundo de paz e harmonia é apenas um sonho distante. Mas, eu prefiro acreditar no que diz a nova (e ótima) propaganda da Coca-Cola: os bons ainda são a maioria

Não vou me alongar sobre as declarações absurdas e ridículas  do senhor Bolsonaro, muito menos sobre as ideias infames de seu colega de plenário, o também deputado (e pastor) Marco Feliciano que, na tentativa vã de defender Jair, afirmou que os africanos (e negros em geral) são amaldiçoados. E para dar crédito a seu preconceito, usou a Bíblia como base de argumentação (?!).

Tento não ser pessimista, mas esse tipo de coisa me assusta e me leva a pensar que, talvez, estejamos caminhando para uma segunda Idade das Trevas. No entanto, quando tudo parece perdido, ou sombrio, vemos a luz na fim do túnel. E a luz que vi, recentemente, foi um vídeo sugerido pelo Rodrigo Cândido - um amigo de São Paulo - que é uma pessoa iluminada, linda, sensível... Um artista (de verdade). Trata-se do curta NÃO QUERO VOLTAR SOZINHO, que mostra o despertar do amor puro, genuíno e inocente entre dois adolescentes. Podemos aferir do vídeo que o sexo dos personagens não é o mais importante, mas sim, aquilo que os move: seus sentimentos.


Paz profunda:
@aharomavelino

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