terça-feira, 20 de junho de 2017

A HIPOCRISIA NOSSA DE CADA DIA, AMÉM!


Lá no início dos anos 90, quando comecei minha carreira (ainda muito jovem, visto que era pobrezinho e precisava me sustentar), fui trabalhar em uma escola do bairro Céu Azul - que naquele tempo pertencia ao município de Luziânia.

Éramos quase todos moradores de Luzi City e trabalhando na Escola Municipal Antônio Bueno de Azevedo, pegávamos ônibus às 6h para estarmos na escola às 6h40 (e olha que o trânsito era tranquilo) e às 7h já estávamos em sala de aula.

Todo dia, dia após dia, a mesma repetição. Ainda me lembro de uma colega, que chamarei de Fulana - não quero processo, cuja rotina era marcada pela fé, que ela jurava ter. Como boa católica, que ela jurava ser, Fulana fazia quase todo o percurso entre Luziânia e Céu Azul rezando seu velho e bom terço. Um objeto bonitinho, feito de madeira e (segundo ela) abençoado pelo bispo em pessoa.

O mais intrigante no comportamento de minha amiga Fulana nem era o fato de ela "rezar o terço" todos os dias; mas sim, as pequenas interrupções que ela fazia. Enquanto Fulana fazia sua prece matinal, nós - os outros funcionários - falávamos das coisas mais variadas: da novela ao preço do feijão, do cansaço daquela viagem ao preço do arroz e, claro, da vida das outras pessoas. E era nesse memento que Fulana mostrava toda sua capacidade de concentração. Bastava ouvir o nome de alguém conhecido e o terço era deixado de lado por alguns segundos.

- Viram que a senhora da limpeza ignorou o pedido do diretor? - questionava uma colega.
- Menina, eu vi! - dizia Fulana, virando-se para trás para participar da fofoca - Eu achei o fim do mundo. Quem ela pensa que é? Mas quer saber? Nunca confiei naquela lá... perigosa.

E assim a viagem seguia, Fulana tinha uma capacidade fantástica de interromper suas preces, disparar um rosário (desculpa o trocadilho) completo sobre a vida de todo mundo e retomar sua reza do ponto exato onde havia parado.

O mais interessante acontecia no final da viagem, com a gente indo em bando por uma estradinha de terra em direção à escola. Depois de passar uns bons minutos fofocando e falando mal da vida alheia, Fulana segurava firme o terço de madeira abençoado pelo bispo em pessoa, beijava-o com devoção e repetia a mesma frase por dois anos inteiros.

- Graças a Deus fiz minha prece matinal, hoje sou uma pessoa melhor do que era ontem. Obrigado, Senhor, por não me deixar pecar, amém!

Aharom Avelino

quinta-feira, 13 de abril de 2017

SANTA CLARITA DIET


FICHA TÉCNICA:
Diretor: Victor Fresco
Elenco: Drew Barrymore, Timothy Olyphant, Liv Hewerson
Onde ver: Netflix 

SINOPSE:
Em Santa Clarita Diet, Sheila (Barrymore) e Joel (Olyphant) são marido e mulher, corretores de imóveis com vidas um pouco descontentes em Santa Clarita, no subúrbio de Los Angeles, com sua filha adolescente Abby (Liv Hewnson) - até que Sheila passa por uma mudança radical que leva suas vidas a um caminho de morte e destruição… Mas de um jeito bom. Depois de ter alguns problemas, Sheila acaba vomitando uma estranha bola vermelha e passa a comer apenas carne humana. Sempre apoiada pela família, Sheila embarca nessa nova jornada morta-viva, ficando cada dia mais linda e disposta com a nova dieta milagrosa.

OPINIÃO:
Santa Clarita Diet tinha tudo para ser uma ótima comédia de costumes, se não fosse um pequeno detalhe: não tem graça!

Com um elenco incrível, incluindo aí sua protagonista Drew Berrymore, a série da Netflix mirou em um alvo bem claro, porém não o acertou. A ideia era fazer uma sitcom meio sobrenatural (aliás, um ótimo plot), contando a história de uma dona de casa que, de repente, sofre uma mutação e vira uma canibal; misturando, assim, comédia e terror para divertir a audiência. A fórmula até teria dado certo se os responsáveis por executá-la não tivessem errado errado na mão aqui e ali. 

Um exemplo de que algo não deu certo nesse baião de dois é o ritmo arrastado do show. Embora siga a fórmula clássica das comédias de costume, com episódios curtos de menos de 30 minutos, Santa Clarita Diet parece não andar. Depois de uns 15 minutos assistindo ao seriado, a sensação que temos é de que já se passaram horas tamanha é a lentidão da narrativa. 

Santa Clarita não tem ritmo, as piadas não funcionam e os personagens não têm carisma. Se a intenção da audiência é rir, há opções melhores na própria Netflix: Um Dia Como Outro Qualquer ou Grace e Frankie, por exemplo. Quanto à falta de tempero no show de Drew, fico com um ditado da minha avó, quando queria dizer que as coisas deram muito errado: "o bolo desandou". 

Vamos conversar?
Aharom Avelino

YOUTUBE: http://migre.me/wqzQ1

sábado, 25 de março de 2017

LIGA DA JUSTIÇA - O FILME


Depois de uma longa espera, de ter que se contentar com ceninhas aqui e ali, finalmente a Warner divulgou neste sábado (25) o primeiro trailer oficial do filme da Liga da Justiça. 

O trailer ainda não nos revela muito da história, mas dá para ver os heróis (Batman, Mulher-Maravilha, Ciborg e Flash) em ação por alguns segundinhos - o Superman ainda não deu as caras. Em um dos momentos da divulgação é possível os membros da Liga enfrentando criaturas aladas semelhantes aos parademônios de Apocolipse.

Embora muito tenha sido dito sobre Batman vs Superman, esse primeiro trailer de Liga da Justiça mostra o filme com o mesmo clima escuro do primeiro, espero que não sirva de motivo para críticas antecipadas. Veja você mesmo e tire suas conclusões:


Liga da Justiça estreia em 16 de novembro deste ano e tem a responsabilidade de segurar a audiência dos filmes da DC Comics. Torçamos. 

Aharom Avelino 

Veja também:



terça-feira, 21 de março de 2017

A ARTE DA TRANSFORMAÇÃO



Título: Perdendo perninhas
Autora: Índigo
Editora: Scipione
Páginas: 127

Sinopse: Ágata não queria acreditar, mas teve de admitir que nada mais seria como antes: tinha início o sexto ano escolar. Além de seguir a ladainha de Mirela sobre os "pode" e os "não pode" da nova fase, Cíntia, sua melhor amiga, passou a maior vergonha na frente de todo mundo no primeiro dia de aula e ganhou um apelido ridículo. Para completar, a repetente Alexandra decidiu ser amiga delas, o que mudou a dinâmica do grupo.
Enquanto faz descobertas de todo tipo, Ágata mantém diálogos absurdos com uma criatura verde e tenta abraçar as mudanças sem abrir mão de ser ela mesma.

Opinião: Fazer uma criança ler, principalmente nestes tempos de Internet, não é tarefa fácil. É preciso ter muito talento para fazer com que uma criança deixe de lado o computador e passe algum tempo mergulhado nas páginas de um livro. Nesse sentido, ponto para Índigo que conseguiu escrever um livro delicioso e que tem tudo para agradar os pequeninos. Perdendo Perninhas é uma linda fábula sobre a transformação, sobre esse passagem da infância para a adolescência. Com uma linguagem dinâmica (sem ser pobre) e personagens cativantes, a autora mostra como narra a trajetória de Ágata, que deixou o ensino fundamental I, onde tinha apenas uma professora, onde o universo girava em torno das coisas de criança, para mergulhar no mundo da adolescência: agora ela precisa se preocupar com a opinião alheia, com o julgamento das outras pessoas e, claro, precisa evitar - de qualquer jeito - os possíveis micos que a gente sempre comete no meio do caminho. 

Ágata é pressionada a crescer por algumas colegas, mas no fundo, ela ainda tem o espírito de uma menina cheia de fantasias. Pronto, está armada a confusão. Nessa hora, a autora entrega um dos grandes dilemas de quem está começando a construir sua história: o que é mais importante? Ser você mesmo ou seguir o bando? 

Perdendo Perninhas é uma ótima opção para quem tem filhos pequenos (ali dos 9 aos 11 anos) e quer que eles criem hábitos de leitura. O texto é engraçado e a narrativa é fluida, o que é muito bom pois não deixa o livro chato. 


Nota: 07 

Aharom Avelino

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

ASSISTA E COMPARTILHE À VONTADE.


Olá, pessoas

E aí, vocês já deram uma olhadinha no nosso canal este ano? Não? Caraca, estão perdendo alguns vídeos babadeiros. Já voltamos lá também, as férias acabaram. Aproveitem a oportunidade (ao assistirem aos vídeos) e compartilhem com seus amigos, inscrevam-se também no nosso canal, afinal você merece coisa boa.

Link do canal AQUI


a) Cinco séries escondidas na Netflix, mas que você precisa ver:

b) Por que os filmes da DC Comics são tão espinafrados pela crítica?

c) Pensa em passar alguns dias em Buenos Aires ou quer saber como é a capital argentina? Então se joga:

Então é isso, depois tem mais. Sigam-me:

Aharom Avelino

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

PERDEMOS NOSSA HUMANIDADE?


Olá, pessoas

Chegamos ao ano de 2017 cercados de modernidades e avanços tecnológicos.  Nunca na História estivemos tão conectados quanto agora e isso tem sido bom e ruim ao mesmo tempo. Bom porque a informação viaja numa velocidade estonteante, ruim porque o ódio se espalha no mesmo ritmo e com ele vamos perdendo, dia após dia, um pouco da nossa humanidade.

Um bom exemplo de como estamos perdendo o bonde da civilidade é a enxurrada de absurdos que vimos neste momento com o anúncio da morte da ex-primeira dama Marisa Letícia, vítima de um AVC. Num momento de tristeza, é chocante ver pessoas comemorando a perda de um ente querido. Independentemente de posições políticas, o que se esperava de qualquer pessoa, com um mínimo de amor ao próximo, era solidariedade, ou pelo menos respeito. 

Durante os dias em que ficou no hospital, dona Marisa recebeu algumas demonstrações de afeto evidentemente; no entanto, foi mais alvo do ódio daqueles que se autointitulam "cidadão de bem". Pessoas que adoram exibir seu "amor ao próximo", seu "temor a Deus" fizeram questão de espalhar mensagens de rancor, de deboche e sadismo sempre que havia alguma postagem sobre a mulher do ex-presidente Lula. E antes que me acusem de intolerância, trata-se de uma contestação: sempre que lia um comentário desumano sobre a saúde de dona Marisa, eu fazia questão de espiar o perfil da pessoa e era batata: 9 em cada 10 se diziam "seguidores do Cristo". Irônico é que tais pessoas não entenderam nada daquilo que o Cristo pregou. 

Diante de uma notícia triste como essa (a perda de uma vida humana), seria interessante que fizéssemos uma autoanálise de nosso comportamento. Será que sou capaz de me colocar no lugar do outro? Será que sou capaz de sentir a dor alheia? Ninguém está aqui pedindo para que se morra de amores pela família Lula, ou que se feche os olhos para qualquer irregularidade que ela tenha cometido (embora ainda não se  tenha provado nada). Não, não é isso. A reflexão que deveríamos fazer agora era: e se fosse minha esposa? E se fosse minha mãe? E se fosse meu filho? Será que eu gostaria de ver (ou ler) comentários comemorando sua partida? Embora pareça tarde, acredito que ainda dê tempo de resgatarmos nossa humanidade.

Aharom Avelino
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