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terça-feira, 31 de maio de 2011

A LEI DA DISCÓRDIA



Oi,

Então, muito se tem dito sobre a PLC 122, ela foi, inclusive, alvo de campanhas difamatórias. Bem, segue abaixo o texto do tal projeto de lei, que observar com atenção verá que o projeto não fere, nem interfere nos direitos religiosos. 

Vale lembrar, que a comunidade GLBT não odeia evangélicos, católicos e afins, apenas quer RESPEITO.
Bejos

@aharomavelino


Projeto de Lei da Câmara nº 122, de 2006:


(Substitutivo, aprovado pela Comissão de Assuntos Sociais do Senado Federal em 10/11/2009)

Art. 1º A ementa da Lei nº 7.716, de 5 de janeiro de 1989, passa a vigorar com a seguinte redação:

“Define os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião, origem, condição de pessoa idosa ou com deficiência, gênero, sexo, orientação sexual ou identidade de gênero.” (NR)

Art. 2º A Lei nº 7.716, de 5 de janeiro de 1989, passa a vigorar com as seguintes alterações:

“Art. 1º Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião, origem, condição de pessoa idosa ou com deficiência, gênero, sexo, orientação sexual ou identidade de gênero.” (NR)

“Art. 8º Impedir o acesso ou recusar atendimento em restaurantes, bares ou locais semelhantes abertos ao público.

Pena: reclusão de um a três anos.

Parágrafo único: Incide nas mesmas penas aquele que impedir ou restringir a expressão e a manifestação de afetividade em locais públicos ou privados abertos ao público de pessoas com as características previstas no art. 1º desta Lei, sendo estas expressões e manifestações permitidas às demais pessoas.” (NR)

“Art. 20. Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião, origem, condição de pessoa idosa ou com deficiência, gênero, sexo, orientação sexual ou identidade de gênero.

Pena: reclusão de um a três anos e multa.” (NR)

Art. 3º O § 3º do art. 140 do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal, passa a vigorar com a seguinte redação:

“§ 3º Se a injúria consiste na utilização de elementos referentes a raça, cor, etnia, religião, origem, condição de pessoa idosa ou com deficiência, gênero, sexo, orientação sexual ou identidade de gênero:

..............................................................................” (NR)

Art. 4º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

FONTE: http://www.abglt.org.br/port/plc122.php

segunda-feira, 30 de maio de 2011

BABADO FORTE

Olá,

oi, minha gente do babado. Estou sem escrever há tempos, eu sei... mas, eu volto sempre que posso. Bem, a demora se deu por outros motivos: estamos preparando uns vídeos para postar aqui no blog. Isso mesmo, logo logo eu darei a cara para bater.

Alguns amigos sugeriram e eu, como sou louco, acabei entrando na onda. Vamos criar um programinha chamado BABADO FORTE (porque somos babadeiros) para o Blog. Ou seja, além de escrever sobre o que anda perturbando o mundo - e mim, claro -, vou falar sobre o assunto também. A proposta é fazer vídeos que mostrem a cultura GLBT, que mostrem que somos pessoas normais, que amamos, trabalhamos e só queremos ser felizes.

Chega de preconceito, chega de sermos tratados como cidadãos de segunda classe, chega de assistirmos passivamente (sem trocadilhos hein, fofas) às mães que choram pelos seus filhos assassinados, agredidos ou espancados, vítimas de uma sociedade homofóbica. A comunidade GLBT não quer direitos maiores, ou menores, e sim: iguais! Afinal, somos todos iguais perante a Lei. Ou não?

Vamos à luta, amigos!
@aharomavelino

segunda-feira, 16 de maio de 2011

E ISSO AÍ


Euzinho pensando...
Oi,

bem, muita gente querendo saber do livro AMORES POSSÍVEIS; pois é, era para ter saído em abril, no entanto, até agora, nada. Enquanto esse não vem, comecei a escrever outra história (também GLS) chamada VENENOSAS. Vejam o comecinho:

CAPÍTULO UM


Ruan retirou a camiseta amarela da arara e colocou-a diante do próprio corpo. Olhou-se no espelho. Primeiro de um lado, depois do outro. Estampou um sorriso vencedor no rosto. Ele sempre gostara de amarelo. Aliás, essa era sua cor predileta. Ele sempre achou que o amarelo realçava os verdes dos seus olhos.
Verdade era que ele nunca se achara uma pessoa bonita. Era baixo demais, gordo demais e tinha estilo de menos. Mas gostava dos seus cabelos lisos e loiros e de seus olhos verdes. Bem, nem tudo estava perdido afinal, vivia repetindo a si mesmo.
Ruan estava decidido, aquela camiseta era ideal. Iria levá-la. De repente, a imagem de Cadu apareceu atrás do reflexo de Ruan. Cadu não parecia feliz. Ruan virou-se para encarar o amigo.
- Num vem me dizer que num gostou dessa também!
- Pra falar a verdade, eu odiei!
- Cadu, essa já é a milésima camiseta que você reprova.
- Claro, essa já é a milésima camiseta horrorosa que você escolhe.
Ruan voltou a observar a camiseta diante do próprio corpo. Onde estava o defeito daquela camiseta, afinal? Ele não viu nada de ruim com ela. Era uma camiseta linda. Pelo menos, ele achava.
- Ah, eu gostei.
- Alô, acorda, Alice! Você vai ficar parecendo um periquito australiano com essa coisa.
- Jura?
- Claro! Olha pra esse amarelão: coisa mais medonha.
- Tá certo... E as outras camisetas que eu tinha escolhido antes?
- Listras horizontais? Nem pensar, boneca! E aquela verde moita? Ridícula!
- Tudo bem, viado. Então me fala: que camiseta eu devo levar?
- Que tal essa aqui?
Cadu esticou uma camiseta para Ruan, soltou aquele sorriso forçado e sacudiu o objeto para que o amigo o pegasse logo.
- Preto? – disse Ruan, pegando a camiseta desanimado.
- Claro. Preto emagrece.

Beijos me sigam
@aharomavelino

terça-feira, 26 de abril de 2011

ALÉM DAS APARÊNCIAS

Oi,

como foi a páscoa de vocês, meus amores? Espero que tenha sido cheia de ovos (de chocolate, para de graça) e muito bacalhau - o que a minha mãe prepara é divino. 

Bem, vamos ao papo do dia. Nesse feriado encontrei uma amiga minha que já fora meu amigo há anos. Não entendeu? Eu explico. Era uma vez, há muito tempo, um garoto que se olhou no espelho e percebeu que algo estava errado com ele. O menino não se identificava com aquele corpo que refletia à sua frente. Aquele não era ele. Os anos se passaram, a tristeza e o desespero foi tomando conta daquele garoto. Então, veio a primeira tentativa de dar fim a própria vida. Depois veio a segunda e, quando ele pensava na terceira tentativa de suicídio, uma luz brilhou no fim do túnel escuro: era a possibilidade de se fazer uma operação para "mudar" de sexo.

O garoto passou por um longo e torturante tratamento (exames, terapias, estudos, mais exames...) e, finalmente, entregou-se às mãos salvadoras de um médico enviado por Deus - assim ele pensou. Vamos avançar a fita um pouco (cruzes, eu sou do tempo da fita)... Hoje o garoto, antes infeliz, é uma linda menina realizada e confortável com - e dentro de - seu próprio corpo. 

Minha amiga(a) é uma transexual. Uma pessoa que nasceu num corpo trocado, que não combina com o seu verdadeiro sexo. Ela tinha toda a parte corporal masculina, mas no fundo de sua alma, ela era mulher. E hoje, com seu corpo sintonizado à sua alma feminina, ela não pensa em morrer, pois descobriu que a vida é linda e se torna mais incrível ainda, quando estamos FELIZES. Aí eu pergunto: que pecado há em ser feliz? Não há!

Beijos
sigam-me @aharomavelino

quinta-feira, 14 de abril de 2011

AMANTES

Um conto pra vocês;

Demorou algumas semanas até que aquela atração, quase fatal, acabasse na cama. Embora ambos tivessem larga experiência, o nervosismo (até parecia a primeira vez) era visível. Mãos e pernas trêmulas. Corpo febril - resultado de um prazer indescritível.


Roberto sabia que sempre sonhara com aquele momento. Estava se sentindo um pouco culpado, mas o desejo e o prazer daquele momento era maior do que qualquer tipo de culpa. Tentou tirar da cabeça a imagem da esposa, não queria uma terceira pessoa debaixo dos lençóis. Não, ali não havia espaço para a esposa, de jeito algum.


Roberto olhou aquele ser nú em cima da cama. As formas desenhadas como uma obra de Auguste Rodin, a penugem loira cobrindo o corpo dourado. O coração de Roberto acelerou. Meu Deus, como ele estava amando aquele momento. Como ele gostava de beijar aquele corpo, tocá-lo e acariciá-lo. Ele estava se sentindo no paraíso. 

Um gemido. A pessoa deitada de bruços mudou a posição e olhou nos olhos de Roberto. Sorriu. "Você ainda está aí? Pensei que já tivesse ido", disse. "Estava esperando você acordar, não queria sair sem lhe dar um beijo", respondeu Roberto.

Então veio o beijo. Ardente, profundo, ansioso... Então, veio o desejo de se amarem outra vez. E, ali, o amor explodiu em cores e sons nunca antes vivenciados por aquelas duas almas. Mas, a realidade bateu à porta, e Roberto precisou ir embora. Voltar para sua esposa.

- Te vejo amanhã novamente?
- Claro. - disse Roberto.
- Tenha um bom dia, Roberto...
- Você também, Eduardo...

E ele voltou para sua casa, deixando o amante deitado na cama.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

QUANDO O ARMÁRIO SUFOCA

Olá,

Amores do meu Brasil, e aí? Tudo bem? Um post arco-íris hoje. Semana passada, conversando com um rapaz que conheci num evento, ele me perguntou, na lata, qual a idade ideal para se sair do armário. Eu pensei, ponderei e disse pra ele que se soubesse a resposta à essa pergunta, seria um gênio.

Não sei qual a idade ideal para que alguém assuma sua condição sexual (e não escolha, deixemos claro), mas acho que cada um tem, em si, uma espécie de reloginho que dita o melhor momento para se fazer isso. Sei que o ato de assumir sua homossexualidade é muito pessoal e essa escolha deve ser tomada pela pessoa em questão. E com plena consciência do que se está fazendo.

A hora de "sair do armário" é, sem dúvida, aquela em que você se senti pronto pra isso. E como se trata de uma decisão íntima, ninguém deve seguir o exemplo ou o conselho do outro, pois cada um é cada um e cada pessoa tem seu momento e sabe o que é melhor pra si. 

Sair do armário é uma decisão muito pessoal, mas uma hora, cedo ou tarde, o armário se torna pequeno, apertado, sufocante... E, pior, vai que tem uma barata lá dentro. Credo! Sair ou não do armário não é o mais importante. O mais importante é SER FELIZ.

Beijos.
@aharomavelino

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

LÁ E CÁ



Olá,

Estava eu quieto no meu conto revendo a série americana Gilmore Girl (aqui no Brasil, tinha o infame nome de Tal Mãe, Tal Filha), e lá pelas tantas, a professora de balé de um grupo de meninas grita com uma aluna: "Fulana, abaixa esse saiote, tá pensando que tá onde? No Brasil?". Na hora, eu ri. Depois, pensando melhor, percebi que não é raro o Brasil ser retratado em filmes e seriados gringos como um paraíso sexual. É como, se aqui, nós andássemos sempre no cio. Acasalando aí pelas ruas da vida (alguns até fazem isso).

Queer as Folk e a vida dos jovens gays
E pensando um pouco mais, também cheguei a conclusão de que a culpa, em parte, é nossa. Nós brasileiros adoramos vender a imagem de que somos um povo sensual, de temos mulatas disponíveis para todos os gostos, de que todo brasileira é caliente, etc e tal. Mas será que somos assim mesmo? Será que somos "mudernos" e liberais em tudo? Ah, tá, sei...

As lésbicas sensuais de The L Word
O beijo gay na novela argentina Botineras
Acho que essa libertinagem que os brasileiros vendem para os estrangeiros é pura propaganda enganosa. Somos sensuais, sim; mas somos, mais ainda, puritanos. Quer um exemplo: nas novelas brasileiras (e em seriados também) o beijo gay é visto como um tabu, é assunto para se falar baixo, pois alguém pode ouvir e nos condenar ao fogo eterno. Enquanto isso, lá fora, eles já viraram essa página. Nos Estados Unidos seriados como The L Word e Queer as Folk (que retratam o universo gay com direito a beijos e outras cositas mais) já são uma realidade há tempos. Aqui mesmo do nosso lado, na Argentina, um dos maiores sucessos novelísticos dos nossos hermanos foi Botineras - uma novela que mostrava o romance entre dois jogadores de futebol (!).

Pois é, em matéria de modernidade, acho que a TV brasileira ainda tem muito o que aprender com os puritanos lá de fora.

Beijos. Fui.
@aharomavelino

sábado, 29 de janeiro de 2011

VENDENDO O PEIXE

Olá,

Aproveitando para vender meu peixe outra vez. A imagem abaixo mostra a capa do meu novo livro AMORES POSSÍVEIS (Ed. Multifoco), que narra a história de quatro adolescentes gays (três meninos e uma menina). O lançamento está previsto para março, vamos torcer!

Capa (verso e frente) do livro de temática GLS - Amores Possíveis
Beijos, paz e luz a todos.
@aharomavelino

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

AMORES POSSÍVEIS

Olá, 

Eu havia prometido falar do meu novo livro. Bem, ele se chama AMORES POSSÍVEIS e será lançado ainda este ano por um selo da Editora Multifoco (Rio de Janeiro), AMORES POSSÍVEIS conta a história de quatro amigos adolescentes gays (Nando, Lipe, Caio e Júlia) que estão cursando o último ano do ensino médio. A história termina no dia da formatura deles. Os personagens centrais vão, juntos, descobrir as dores e os sabores de serem como são. Vão conhecer o preconceito, a discriminação, vão descobrir o valor de uma amizade verdadeira e vão viver seus primeiros amores. Em meio a tudo isso, Nando (o narrador) acaba se apaixonado por um colega novo, mas há um problema: o garoto é hétero! E agora? Segue abaixo um pequeno trecho do primeiro capítulo: AGITAÇÃO.
Beijos
@aharomavelino


Agitação

Tumulto, corre-corre, falação e muita gritaria. Há dias que a escola estava um pandemônio. O ginásio parecia uma grande escola de samba. Havia balões brancos e vermelhos, fitas e muito papel crepom, nos mesmos tons, cobrindo o teto e algumas paredes. Um verdadeiro carnaval.
– Já vi decoração brega, mas isso aqui bate todos os recordes – disse o Caio balançando a cabeça em tom de negação.
No meio da confusão, a Jéssica era a mais nervosa. A garota corria feito uma louca de um lado para outro, parecia uma dessas formigas desorientadas.
Em menos de cinco horas, teríamos o tão falado “Baile de Inverno”. O tal baile tinha sido a forma criativa que acharam para arrecadar grana pra nossa formatura. Quando eu digo acharam, estou me excluindo mesmo, porque a ideia não partiu de mim. Quem teve esse brilhante ataque de criatividade fora a Jéssica, evidentemente. O nome foi dado por ela também, acho que a louca nem se preocupou em verificar se estávamos ou não no inverno. O que ela queria – penso eu – era um título de impacto e baile de inverno, para ela, era impactante. Para mim, impactante era o fato de a decoração não ter nada a ver com inverno, mas tudo bem.

E naquela zona toda, meu papel era ficar sentado na arquibancada da quadra me divertindo ao ver meus colegas de turma desesperados. Todo mundo tentando colocar as coisas em ordem. Os alunos do terceiro ano estavam à beira de um ataque de nervos. Eu estava surpreso de ver que a Jéssica ainda não tinha arrancado seus longos cabelos loiros (tingidos, claro). Ah, mas isso é uma coisa que ela não faria mesmo. A Jéssica tinha noção de algumas coisas, e uma delas era a fortuna que se gastava num salão de beleza.
Pois é, a Jéssica era mesmo uma figura. Como explicá-la? Acho que ela era inexplicável. Mas vou tentar. A garota era tipo uma dessas modelos de revista, sabe? Magra, alta, bonita, bem vestida, maquiagem sempre perfeita e lentes azuis para enganar os bobos de plantão. Era conhecida como a Barbie da escola. O seu cabelo descolorido parecia tirado de um comercial de xampu.

A maioria das meninas queria ser ela, e a maioria dos meninos queria ficar com ela. Com um índice de popularidade de dar inveja a qualquer Miss Universo, ela fora eleita a presidenta da comissão de formatura da escola. O problema foi que a maluca levou o título muito a sério e começou a se comportar como se fosse a rainha da Inglaterra.

Nossa escola se dividia em três grandes grupos: o que amava, idolatrava, imitava, admirava e queria ser amigo da Jéssica; o grupo dos que tentavam ignorar sua existência; e o grupo que adorava odiá-la.
Eu pertencia ao segundo grupo, embora, às vezes, tenha colocado um pezinho no terceiro. Fingia que ela não existia. Eu nunca seria amigo da Jéssica. Não que isso fosse mudar minha vida, nunca quis ser íntimo dela. Para ela, eu também não era bom suficiente pra andar com sua turma.

Eu pertencia ao grupo dos comuns. Nunca fui um deus grego (mas não sou feito, que fique bem claro), não tinha um corpo atlético (também nunca fui gordo, ok?) e tinha uma altura razoável. Ou seja, nunca fui do tipo que chamasse à atenção. Pelo menos, não pela estética.

Enquanto a Jéssica e sua corja se matavam no meio da quadra para deixar tudo pronto até à noite, eu e meus três únicos amigos nos divertíamos na arquibancada.
Do meu lado direito estava o Lipe (Felipe, na verdade), mas todos o conheciam como Lipe mesmo. O Lipe
era o mais tímido do grupo. Pequeno, magrinho, cabelo sempre raspado à máquina e óculos de aro preto muito elegante. Ele falava pouco e baixinho. Quando estava contando alguma coisa para alguém, o Lipe gostava de cruzar os braços. Assim, gesticulava menos e não dava tanta pinta.

Próximo ao Lipe estava o Caio. O Caio era uma figura e tanto. Ele era o oposto do oposto do Lipe. Era alegre, expansivo, animado, astral lá em cima e possuía um humor ácido que, quase sempre, deixava todo mundo sem graça. Quando falava, o Caio ilustrava suas histórias com gestos grandiosos. Eu sempre achei que os braços dele tinham vida própria.
Muito vaidoso, o Caio estava se sentindo. Tudo graças ao sucesso de sua chapinha. Seu cabelo fora, finalmente, domado e agora estava cobrindo parte dos olhos. E o visual emo caiu como uma luva nele.
As roupas usadas pelo Caio sempre foram um capítulo à parte, ele não usava nada normal. Cada modelinho dele era um evento.

– Quem usa roupas são vocês, pobres mortais. Eu uso superproduções – ele sempre dizia.
Quando não achava nada que o agradava nas lojas da cidade, ele comprava qualquer coisa e customizava. Naquele dia, ele tinha caprichado na botinha de couro e na calça justíssima, sem falar na camiseta com a cara da Madonna em tamanho gigante – a imagem, não a camiseta.

E, finalmente, do meu lado direito estava a Júlia.
A Júlia era, em minha opinião, uma das meninas mais lindas da escola: cabelos vermelhos, olhos verdes – muito bem delineados com lápis preto – pele branquinha, olhar penetrante e postura elegante. Ela usava um piercing na língua e se vestia com atitude. A Júlia gostava de se exibir com seus braceletes de couro, suas roupas escuras e seus coturnos ou All Star bem surrados. Ela era realmente uma criatura incrível.
Além de minha melhor amiga, a Júlia era, também, minha vizinha. Morávamos no mesmo prédio, um de frente para o outro, desde que nos entendemos por gente. Desde pequenos, estávamos sempre juntos, éramos como irmãos.

A minha amizade com a Júlia sempre incomodou o Caio. Ele nunca escondeu os ciúmes. Vivia me acusando de dar mais atenção a ela do que a ele. Sempre que estavam juntos, o Caio e a Júlia se pegavam feio. Mas, no fundo, eles se gostavam.
Nós estávamos parados ali no ginásio há pelo menos uma hora. O Caio como sempre não calava a boca um segundo. Ele falava tanto que me distrai e já não sabia mais qual era o assunto do seu falatório. Só prestei atenção no papo, quando ele e a Júlia começaram outra briguinha.
– Já ouviu falar em Prada, querida? Pois é, esse meu lenço é um Prada legítimo. Claro que você não sabe o
que é isso, porque você nunca vai usar um Prada na vida – disse o Caio, enquanto ajeitava o lenço no pescoço.
– Prada, ou não Prada, ele é desnecessário – falou a Júlia. – Olha o calor que está fazendo, criatura.
– Eu não vou deixar de ser elegante por causa desse calor horroroso, né?
– Você tá é pagando mico, Caio.
– Quer saber, Júlia? Vai pentear macaco! Invejosa!
– Só acho que você poderia ser um pouco mais discreto – disse ela.
– Ah, vai ver se eu tô na esquina, sua despeitada.
– Caio, hoje durante o intervalo, as pessoas estavam rindo de você.
– E daí? Quem se importa? Eu por acaso devo alguma coisa pra alguém nessa escola? Até parece que eu me importo com essa gente comum – retrucou o Caio, aumentando o tom de voz.
– Gente, pelo amor de Deus. Olha a cena – advertiu o Lipe.
O Caio fez uma careta pra Júlia e virou o rosto para o outro lado. A Júlia me encarou como quem pede ajuda.
– Ih, me deixa fora disso. Vocês que são grandes que se entendam – eu disse.
O Caio lançou seu olhar de vencedor para a Júlia e passou a mão pelos cabelos em tom de deboche.
– Palhaço – disse a Júlia baixinho.
Ficamos mais alguns minutos no ginásio e decidimos que já era hora de voltar às nossas vidas.

Estávamos saindo, quando fomos cercados pela Jéssica e sua gangue – era assim que chamávamos as meninas que andavam com ela.
– Oi, gente, tudo bem?
– Oi, Jéssica – eu respondi.
– E aí? Vocês vão participar do nosso baile hoje à noite? – ela quis saber.
– Ah, mas a gente não perderia esse “seu” baile por nada, fofinha – disse o Caio.
– Obrigada, Caio – falou a Jéssica em tom irônico. – Mas, tipo, vocês sabem que esse baile é um baile normal, né?
Eu olhei incrédulo para meus amigos. O que ela queria dizer com normal?
– Sério? – disse o Caio. – Não me diga! Ainda bem que você avisou que o baile é pra gente normal, fofa. Eu nunca iria num baile pra gente “anormal”!
– Ah, tá... – ela falou meio sem graça.
– E depois, nós também somos formandos – emendou a Júlia.
– É... Tem isso, também... – falou a Jéssica.
– Então, fica tranquila, a gente vai aparecer e gastar muito nessa festa – prometeu o Caio.
– Então tá...
– Você não tem nada contra o nosso dinheiro, né, Jéssica? – questionou a Júlia.
– Não... Eu...

domingo, 26 de setembro de 2010

O AMOR ACONTECE



O primeiro encontro foi no elevador. O cheiro do perfume dele, seu olhar firme, o sorriso tímido, tudo era encantamento e charme. No entanto, não trocaram uma só palavra, naquele dia.
Vários encontros casuais aconteceram. Um dia no corredor da presidência, outro dia na xerox, ainda teve aquele embaraçoso esbarrão na salinha do café. Apenas um toque leve, rápido, fugaz; mas o suficiente para acender o pavio da paixão. Ou do tesão, vai saber...
Com o tempo, veio a urgência de se vê-lo. Tentava adivinhar onde ele estava, em qual departamento se encontrava, só para poder observá-lo.
Quando chegou para trabalhar, certa manhã, viu o papel na mesa. A caligrafia elegante, os traços bem delineados. No bilhete, estava o nome dele, o telefone e o endereço. Logo abaixo, a frase: "Vamos nos conhecer melhor? Te espero hoje no estacionamento." 
Naquele instante, teve a certeza de que havia alguma coisa real acontecendo. Não era fantasia sua. Aquela atração era verdadeira. Não estava imaginando coisas, ele havia percebido sua presença também.
O dia passou arrastado, olhava o relógio todo o tempo. Não via a hora de o expediente chegar ao fim. Ao chegar ao estacionamento, seu coração acelerou, os pelos do braço se eriçaram, um calafrio percorria seu corpo. Olhou para a direita e lá estava ele, parado encostado no carro com aquele sorriso tímido estampado no rosto. Ele era, realmente, o homem mais bonito do escritório. Nossa, é de verdade! Ele veio. Então, isso está mesmo acontecendo, comigo?
Ele saiu de onde estava e veio em sua direção:
- Oi.
- Oi.
- Meu nome é Renato, muito prazer!
- Eu sou o André. E o prazer é todo meu!
Eles sorriram e saíram juntos. Começava ali uma longa e colorida "amizade"!

domingo, 19 de setembro de 2010

VOTO COLORIDO

Olá,

Eu havia prometido a mim mesmo que não ia chover no molhado, mas não dá, tem hora que a gente tem que falar ou fica louco. Em ano de eleições, toda atitude nossa toma um outro nível quando pensamos que estamos escolhendo nossos representantes, que estamos escolhendo quem vai decidir sobre nossas vindas, no mínimo, pelos próximos quatro anos.

No Orkut, eu entrei num debate dia desses, quando me mandaram um vídeo onde um pastor convocava o “povo de Deus” para uma cruzada contra o que ele chama de “movimento contra a família”; nem preciso dizer que os responsáveis (na visão dele) pela ameaça à família são os homossexuais. Quem me mandou o vídeo queria que eu tomasse partido do lado do tal pastor. Coitado, fez-me seguir o caminho contrário: o de lutar pelo direito de cidadão que toda pessoa, seja ela GLBT, ou não, tem.

Outra vez digo: vivemos num país laico, as coisas da religião devem ser tratadas dentro das igrejas. O estado precisa garantir os direitos de quem crê e de quem não crê também. Na idade média, quando a religião controlava o estado, a coisa deu no que deu. Temos que ter muito cuidado ao dar o nosso voto, nisso eu concordo com o pastor, mas temos que ter cuidado para não votar em um candidato que apoia a discriminação, o preconceito contra qualquer seguimento da sociedade.

Nesse ano de eleição, veja em quem você vai votar, não é difícil descobrir quais candidatos (seja a deputado, senador, governador ou presidente) que têm uma postura homofóbica. Ao contrário do que muitos religiosos pensam, criminalizar a homofobia não é dar superpoderes aos gays, mas sim, uma questão de direitos humanos.

Sucesso...
@aharomavelino

sexta-feira, 10 de setembro de 2010



Olá,

O mundo gira, as coisas acontecem, ou como dizia Cazuza “O tempo não para”. Pois é, essa semana, fomos surpreendidos (ou não) pela notícia de que a cantora e compositora Adriana Calcanhoto oficializara sua relação homoafetiva com a filha do poeta Vinícius de Moraes – a cineasta Suzana de Moraes.

O que me deixou surpreso foi que a notícia não provocou o escândalo que se esperaria dela. As pessoas, com as quais eu falei sobre o assunto, acharam tudo muito comum... Muito natural. E eu digo: é assim que deve ser. Vamos parar com essa mania de achar que “isso não existe”. Gente, Adriana e Suzana não fizeram nada de novo. Muitos casais gays vivem juntos há anos (eu conheço um monte).

Em vários lugares (do Brasil) a justiça já reconheceu relações homoafetivas como válidas. Alguns órgãos públicos idem. Então, por que não se regulamenta logo tudo isso? Simples: demagogia barata! A negação de direitos civis aos gays está diretamente ligada ao lobby religioso que se faz na política brasileira, o que é absurdo, visto que somos (ou nos dizemos) um país laico.

Tem hora que eu acho que o Brasil não existe, que somos fruto de uma imaginação coletiva. Há coisas – que acontecem aqui nessa terra – que são inacreditáveis, mas isso eu comento depois. Parabéns a Calcanhoto e sua companheira pela coragem e pela decisão de viverem seu amor sem barreiras. O que realmente importa é isso: A FELICIDADE!

Abraços fraternos:
@aharomavelino

sexta-feira, 16 de julho de 2010

DIREITOS PARA QUEM TEM DIREITO

                                 

Olá,

Essa semana a Argentina deu uma lição ao Brasil. O congresso do país vizinho aprovou o tão comentado “casamento gay”; assim, eles saíram na frente de toda a America do Sul. Uma pena que aqui, onde adoramos dizer que somos o país do futuro, essa lei ainda pareça tão distante de ser aprovada.

No Brasil, a lei que ampara a união civil entre pessoas do mesmo sexo encontra forte oposição junto à bancada que se denomina cristã (evangélicos e católicos), até aí tudo bem, visto que eles estão praticando a religião deles e ela não apóia a homossexualidade. Mas, quando essa gente usa suas crenças para suprimir o direito de outros, a coisa muda de figura. Negar ao cidadão homossexual seus direitos é negar a ele sua própria cidadania. Quando pagamos nossos impostos, não nos é perguntado se somos homossexual ou hétero. Por que, então, não é dado a todos os mesmos direitos? (Não é isso que prega nossa Constituição?).

O Brasil é, em tese, um país laico, logo, suas leis deveriam ser para todos, independentemente da religião que professam (e até mesmo para quem não professa nenhuma); então, é – no mínimo – estranho que os homossexuais tenham menos direitos que os heterossexuais quando se trata de união civil.

É isso.
@aharomavelino 

DOIS VOTOS A ZERO

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) concluiu, nesta terça-feira (9), o terceiro dia do julgamento do “núcleo crucial” da tent...